Artigo

Editorial: St. Patrick’s Day, amor por cerveja e poder de escolha

Porque somos pobres e estamos #chatiados com os preços da festa de hoje

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17 de março é St. Patrick’s Day – Dia de São Patrício, mas a gente evita usar a tradução porque 1) a data é mais amplamente celebrada nos países de fala inglesa e 2) que raio de nome é “Patrício”? Por favor. – e felizmente chegamos a um ponto em que quase todo mundo sabe disso por aqui. Quase todo mundo, claro, entre o pessoal descolado bebedor de cerveja da internet.

Sem me alongar em explicações, afinal, acabei de dizer que a maioria de vocês sabe do que se trata: comemora-se, em tese, o dia do santo considerado responsável pela difusão do cristianismo na Irlanda. Então passaram-se alguns séculos e vieram os americanos, que transformaram a celebração santa em uma grande festa que abusa da cor verde e do consumo de cerveja. AE!

Sim. Se algo pode ser comercializado, provavelmente é o pessoal ali do norte que vai sacar. E se algo dá certo por lá, quase certo também é que nós por aqui vamos copiar. Por todo o Brasil, bares e pubs de influência inglesa e irlandesa, além de sports bars no melhor estilo norte-americano aproveitam a data para promover a festa. Nós, d’O Pasquindie, que mais do que apreciar, nutrimos os mais belos sentimentos pela cerveja, aprovamos e apoiamos datas, ocasiões e eventos nos quais o objetivo maior seja esse, beber cerveja. Mas não nos escapa a sensação de que algo está errado.


EUA + Irlanda? SIM, POR FAVOR!

Procurando um lugar para molhar nossos bigodes na mais cremosa espuma irlandesa nesta segunda-feira, chegamos a nos assustar com o que muitos bares e pubs de São Paulo fazem hoje. A cidade normalmente é cara, nós sabemos, mas os preços da festa de St. Patrick beiram o abusivo (sem entrar nas questões “há quem pague”, “abusivo pra você, que não tem grana”, etc, os preços são simplesmente altíssimos). De bares que cobram até oitenta reais pela mera entrada no recinto a balcões que estipulam um valor mínimo de consumo – que pode chegar a 6 ou 7 pints de preço levemente salgado, ou vários e vários chopps tipicamente brasileiros com corante verde–, podemos concluir que talvez nosso St. Patrick esteja azul e vermelho demais, e verde de menos.

Não, não é um rant anti-americano blábláblá, nós adoramos a transformação que o pessoal dos EUA fez com a data, e sabemos que é graças a eles que hoje podemos comemorar essa grande festa cervejeira por aqui. Mas é algo a se pensar. Não deveríamos olhar um pouco mais para o jeito irlandês de celebrar? Não seria maravilhoso ter o direito de ir e vir do bar, sem catracas, pedágios ou portarias, como nas ruas de Temple Bar? Ou talvez ter o direito de comemorar na quantidade que você quiser?


Brasil + Irlanda? ADORAMOS TAMBÉM!

Nada é mais presente na história da Irlanda do que a busca por liberdade. E essa é uma ideia que simplesmente não aparece em nossa homenagem aos irlandeses. Em uma data na qual os consumidores brasileiros têm de se adaptar ao que querem os bares, quando deveria ser o contrário, vale lembrar da nossa própria luta por liberdade e melhorias, inclusive quando se trata de beber, comemorar, ir pro bar. Um St. Patrick’s Day mais irlandês, e por que não mais brasileiro, para que possamos beber cerveja para celebrar e festejar, e não para esquecer (a conta).

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