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O próximo pior ano das nossas vidas?

Passamos os últimos 30 dias reclamando do ano que acabou. E daqui 12 meses, como vai ser?

O fim do ano veio e passou rápido. Em parte porque dezembro tem tantas confraternizações que é grande o número de dias que passam por nós sem percebermos, enquanto estamos desacordados ou nadando em um espesso mar de ressaca, depois de ter tirado a chefe de quase sessenta anos pra dançar e ter chegado perto demais, perto-demais – é só um exemplo hipotético! De jeito nenhum isso aconteceu! Eu juro! De jeito nenhum!

O que não passou despercebido para mim foi, nos amigos secretos, papos de elevador e timelines, a sensação de que “2014 já vai tarde”, “puta ano bosta” e até “pior ano da minha vida.” É quase unanimidade que 2014 foi um ano bem ruim. Mas qual não foi, considerando o espírito retrospectivo dezembrino? A gente sempre acha que o ano que está acabando foi um dos piores, e o motivo pelo qual nós pensamos assim – e eu estou muito feliz por anunciar essa obviedade – é o nosso cérebro.

Estudos mostramA CIÊNCEA já mostrou que, com o passar dos anos, nós guardamos muito mais memórias boas do que ruins. Por isso quando tem um moleque correndo pra cima e pra baixo no restaurante você ouve sua mãe dizer que “nunca que filho meu se comportava assim”, mesmo sabendo que você era um encapetado que fazia muito pior. E que já cansou de ouvir seu pai dizer que “na minha época, pra namorar, tinha que ir pedir pro pai, e ficava no portão, com a família inteira de olho”, mesmo sabendo que ele e sua mãe se pegavam pelos bailes da cidade muito antes de ficarem juntos de vez, inclusive enquanto ela ainda namorava outro!

Mas parece que esse processo leva um tempo, e quando se trata do ano que está acabando, é das coisas ruins que a gente mais lembra. 2014, por exemplo, teve Copa sim teve Copa pra caralho a Copa do Mundo, e ninguém esquece o traumático vexame do 7 a 1. Se você gosta de futebol, um ano em que seu país foi eliminado em casa tomando sete gols é certamente um ano bosta. Mas a gente esquece que antes disso estava tendo banho de cerveja com croatas!

O que acontece é que a gente fica tentando classificar um ano pelas grandes coisas que aconteceram nele, e isso é bem injusto. Quantas vezes na vida nós somos promovidos, ou conhecemos alguém realmente especial, ou fazemos uma viagem do caralho por lugares que vão nos marcar pra sempre?

O clichê de “dar valor às pequenas coisas” se aplica. Antes de falar que o ano foi cu, a gente devia pensar melhor e lembrar das bandas incríveis que descobriu, aquelas que vão estar entre as nossas favoritas por um tempão. Do restaurante bom e barato perto do trabalho, que coloca a satisfação lá em cima três vezes por semana. E das coisas boas e inesperadas, como aquela festa que estava péssima, fazendo você ir embora logo, acordar mais cedo no dia seguinte e descobrir uma parte nova da cidade, com um dos melhores cafés da sua vida. Ou de quando você riu com seus amigos até se mijar, mas ninguém reparou, a calça era preta e estava um frio do cacete e você ficou lá curtindo o quentinho. Ou o dia em que você levou a menina pra um canto escuro da balada querendo dar uma dedadinha, mas acabou tomando uma e não achou de todo ruim e MANO O QUE VOCÊS ANDAM FAZENDO POR AÍ?!?!?!

Maldita confraternização de fim de ano.

MAS ENFIM!

Quer um jeito fácil de ser menos injusto com o próximo ano quando dezembro chegar? Caderninho. Não precisa ser um diário elaborado. Só compra um caderno simples e anota as coisas legais que acontecem no seu dia a dia. Não precisa anotar as ruins, delas você já lembra. E aí, quando Simone cantar, dá uma olhada em como foi. Se ainda assim a conclusão for de que foi um puta ano bosta, um dos piores da vida e que já vai tarde, talvez seja hora de tomar um frasco inteiro de remédios cantando Noite Feliz mudar algumas coisas.

Feliz 2015 pra vocês. Não deve ser tão difícil.

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