Artigo

As resoluções de Ano Novo que você não está cumprindo, e por quê

Hora de revisitar as promessas feitas há um mês e ver o que está dando errado

O primeiro mês de 2015 passou, e até agora o ano tem sido bastante normal. O tal primeiro mês do ano foi janeiro – como sempre; tem gente matando e morrendo pelo mundo por causa de religião – como acontece há séculos; a água está cada vez mais perto de acabar em São Paulo – como todo mundo sabia que aconteceria, há pelo menos um ano; o “BBB” estreou uma nova edição; e ESPERA, nem tudo está igual. Em 2015 os torcedores do Palmeiras estão finalmente começando o ano empolgados com um time que deve, no mínimo, causar menos nervosismo e constrangimento. AAAA PORCADA! ISSO AÍ! DÁ-LHE PORCO!!! O CAMPEÃO VOLTOU! RUMO A TÓQUIO!!!

Pronto, passou. Este texto nem é sobre futebol.

É sobre cumprir metas. Mais especificamente, é sobre todas aquelas ~resoluções~ que fizemos entre o fim de 2014 e o começo de 2015 e que, por motivos mais ou menos válidos, enrolação ou simplesmente desistência, já foram relegadas à gaveta das promessas não cumpridas. E quais são essas resoluções? E por que você não está cumprindo? Como se faltasse gente intrometida e arrogante querendo cuidar da sua vida por aí, chega O Pasquindie.

PERDER PESO, FAZER EXERCÍCIOS, COMER MELHOR

O que ferrou a coisa toda aqui é que 2015 começou em uma quinta-feira (qualquer dia serviria, só mudaria a estrutura da desculpa esfarrapada). Depois de perder boa parte do primeiro dia do ano entre a ressaca e o mundo de comida que sobrou da noite anterior, você só teve forças pra tomar uma cervejinha no começo da noite com aquele amigo que não pôde estar na mesma festa que você. E aí já era fim de semana.

O ano começou, de fato, no dia 5, e sabendo o quanto seria cara-de-pau usar “mensalidade de 25 dias não rola” como desculpa, você pensou um pouco no assunto e decidiu deixar mais para o fim da semana, porque a academia estaria lotadíssima no dia 5, ou 6, formigueiro mesmo. E todo mundo sabe que ninguém se matricula em academia às quintas. Também falta pique pra se mexer em casa, ou na rua, e o trabalho está uma loucura e mal dá tempo de almoçar, e isso, e aquilo, e aquilo outro. No fim das contas você ainda não perdeu os 3 kg que ganhou de dezembro pra cá e agora está se convencendo a fazer algo depois do carnaval. AHAM!

TROCAR DE EMPREGO, TRABALHAR MENOS, TIRAR FÉRIAS

No fim do ano você pensou: “já deu!” Chega de entrar às 8, sair às 21 e trabalhar mais um pouco em casa. Chega desse trabalho chato! Chega desse chefe que insiste em parar na sua mesa pra checar qualquer coisa, sempre com a virilha perto demais do seu ombro. Chega dessa empresa com limite na máquina de café. Além disso, você queria algo novo, algo que te desafiasse, que fosse prazeroso durante e depois de fazer – tipo uma dupla penetração invertida com os braços amarrados nas costas, mas, sabe, um equivalente no trabalho. Acontece que o trabalho é meio cu, mas paga muito bem. Você não bota muita fé nessas notícias de desemprego baixo e resolveu que não é hora de arriscar. E as férias… se fosse mesmo tirá-las, com as datas disponíveis, já deveria estar planejando, mas a empresa tem um evento grande a caminho e você bem que poderia tirar só uns dias de folga e receber o resto em dinheiro, que o cartão de crédito não está lá essas coisas. AH, TÁ!

SE APAIXONAR, ARRUMAR UM NAMORADO OU NAMORADA, ENGATAR UMA AMIZADE COLORIDA

Primeiro que parem com essa história de planejar se apaixonar e namorar. Não é assim que funciona. Você não simplesmente pede para que toquem um som aí e a coisa acontece. A não ser que você confunda “se apaixonar” com “beijar, beijar, beijar”, mas aí pode ser também que você confunda “achar 2 reais no bolso da calça” com “ficar rico” (a não ser que você ache a Rainha Elizabeth e o Rei Leão, por exemplo, no seu bolso, mas isso já seria surrealista demais), “Alckmin” com “governador competente” e “frozen yogurt” com “sorvete”. Porque sério, como alguém pode achar que aquela coisa absolutamente sem graça pode passar um segundo que seja na mesma categoria que sorvete? A única semelhança é que os dois são gelados, mas até o gelado é diferente, então parem! Só parem!

Enfim.

A coisa da amizade colorida, que é como os antigos chamam isso de “ter um ou uma fuck buddy”, seria a mais simples, se você não fosse tão burro ou burra. Ok, peguei pesado, desculpa. Mas você precisa ser realista, ajustar as suas expectativas. Não adianta ter a cara do DJ Qualls, ou a minha, e querer que uma Emma Stone da vida não resista à sua (minha) beleza desconcertante. Não vai rolar. Ao mesmo tempo, não adianta você ser gato ou gata para caralho e querer só Bündchens e Clooneys. Porque gente assim TEM POUCA. Realidade, galera. Se você nasceu com essa cara linda aí, tem que aceitar algumas coisas, se adaptar. “Mas Lava, se eu continuo querendo a Emma Stone, e uma mulher gata como a Emma Stone tem que diminuir as exigências, pode dar certo!” Ok, cara feinho que lê O Pasquindie, me conta da última vez que você deu uns beijos na Emma Stone, aí a gente conversa. NEXT!

MUDAR DE CIDADE, ESTADO, PAÍS

É, é, ok. A gente ouve isso há anos. Ninguém mais aguenta você reclamando de onde está morando e/ou falando de onde está planejando morar, mas a lista de motivos pra não ir é interminável, né? É seu trabalho, que só pode ser feito onde você está; é o namoro que finalmente engatou; é que onde você mora é um grande centro, com tanta coisa pra fazer! (mesmo você não fazendo nada nunca); é que o custo de morar em uma cidade tão grande deve ser muito alto; etc; etc; etc, etc etc etc. Na real, a mudança não é algo que você quer, é algo que seria legal se acontecesse sem muito esforço da sua parte e sem mudar muita coisa na sua vida, pelo menos sem consequências negativas. O nome disso é sonho.

Sim, eu acharia o máximo ter audição supersônica, um apartamento de cobertura em Nova York, um canal que passe desenhos animados bons 24 horas por dia, porque o Cartoon Network está CAGADO, mas eu não estou realmente fazendo nada pra que isso aconteça. Igual você, com seu sonho de morar em São Paulo, Belo Horizonte, no interior, na praia ou em Paris. MOVE ON! (see what I did here?)

PARAR DE SER FEITO OU FEITA DE IDIOTA

Aaah mas essa aí você não está cumprindo mesmo. Inclusive a coisa piorou bastante nesses trinta dias de janeiro, né? TSC TSC TSC.

LER MAIS, VER MAIS FILMES, APRENDER ALGO NOVO

Esta resolução você fez porque é fácil, né? MAS NÃO É. O que mais explicaria o fato de que você a repete todo ano, sem cumprir? É louvável a vontade, mas definitivamente não é simples. Não conta como “ver filme” se você dorme ainda na primeira metade, então esquece aquela meta de dois ou três por semana, pelo menos. Tempo pra ler, tem. Você mesmo se convenceu disso, porque passa mais de uma hora por dia paradão no ônibus, mas e o sono? E a preguiça? E o Angry Birds? E não vou nem comentar que você tem 25 anos e não sabe usar crase, mas fala que vai aprender espanhol “porque é fácil, tudo parecido”, ou inglês que é “mó fácil, nem tem verbo.” Não, cara. Não.

Aí no fim das contas você assiste a todos os episódios de Friends em menos de um mês, depois emenda com How I Met Your Mother, The Office, Seinfeld, etc. Sim, sim, você aprende algo novo. Umas tiradinhas que raramente vai conseguir/se lembrar de usar no dia a dia, uns bordões que você vai usar errado. E sim, sim, são programas que às vezes te fazem pensar sobre a vida. Mas você só pensa em “Ai, eu sou meio Chandler, mas um pouco Ted também, e confesso que um pouco Ross.” BORING! Você queria ser mais Joey e Barney também, e acha que, se encontrar a pessoa certa, poderia ser um ótimo Jim. Amigão, você não poderia ser um Jim. Você é todo Constanza.

Enquanto isso o Machadão está lá no criado-mudo (o de Assis. Além de ser estranho, um machado grande não caberia em um criado-mudo, a não ser que fosse um criado-mudo bastante grande, o que também seria estranho), com o marcador fincando raízes na página 17. TOMA VERGONHA!

Ainda dá tempo. O ano acabou de começar, ainda estamos no Capítulo 2 de 12 em fevereiro. Vai, levanta, corre atrás!

Agora me deem licença, que eu preciso cancelar a matrícula na academia, almoçar correndo no Mc e voltar pro escritório, devo sair só depois das oito da noite. Mas de hoje não passa, hoje eu convido a estagiária do financeiro, que parece a Emma Stone, pra tomar um café no intervalo.

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